DCF para startups: quando o fluxo de caixa descontado faz sentido
FCF, WACC por CAPM, valor terminal e o cuidado com risco-país em empresas brasileiras.
O fluxo de caixa descontado (DCF) avalia uma empresa pelo dinheiro que ela vai gerar, trazido a valor de hoje. Em pré-seed e seed, os fluxos são incertos demais — ali vale o Método VC. Mas para startups com receita previsível e margem caminhando para o positivo, o DCF vira referência em rodadas avançadas, M&A e IPO.
As peças
- Fluxo de caixa livre (FCF) = EBIT × (1 − IR) + depreciação − capex − variação do capital de giro.
- Taxa de desconto (WACC): média ponderada entre o custo do capital próprio e o custo da dívida depois do IR.
- Custo do capital próprio (CAPM) = taxa livre de risco + beta × prêmio de mercado.
- Valor terminal = FCF do último ano × (1 + g) ÷ (WACC − g), onde g é o crescimento na perpetuidade.
O cuidado com o risco-país
Se você usa a taxa de um título público brasileiro longo como taxa livre de risco, o risco-país já está embutido nela — não some de novo. O risco-país entra quando a taxa livre de risco é a do Tesouro americano e a empresa opera no Brasil.
Dois alertas
- Se mais de 75% do valor vem do valor terminal, o valuation depende quase todo do futuro distante.
- O WACC precisa ser maior que o crescimento na perpetuidade, senão a fórmula não fecha.
A calculadora de DCF projeta 5 anos, calcula o WACC, o valor da empresa e do equity e mostra uma tabela de sensibilidade por WACC e crescimento.